31 de maio de 2012

CORNO FILMA A MULHER TREPANDO =]

O sujeito vai à sacristia da igreja com uma câmera e filme o PADRE comendo a sua mulher...
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Wild Man Blues



Uma feminazista me disse que se recusa a ver os filmes do Woody Allen, depois que ele se casou com a ex-enteada Soon Yi Previn. Pois minha admiração pelo sujeito decuplicou depois disso =]

Wild Man Blues registra uma faceta menos conhecida de Woody Allen, a de músico de jazz. Vi e gostei pacas:


23 de maio de 2012

Minha vida, nos últimos tempos...

Careca, gordo, barbudo, preguiçoso, e cagando pro mundo: :puke! vomitar



21 de maio de 2012

Oiça lá ó senhor Vinho!

VÊNUS me concede esse delicioso fado sobre o vinho. O que me faz adorá-la com fervor redobrado...



Oiça lá ó senhor vinho,
vai responder-me, mas com franqueza:
porque é que tira toda a firmeza
a quem encontra no seu caminho?

Lá por beber um copinho a mais
até pessoas pacatas,
amigo vinho, em desalinho
vossa mercê faz andar de gatas!

É mau procedimento
e há intenção naquilo que faz.
Entra-se em desequilíbrio,
não há equilíbrio que seja capaz.

As leis da Física falham
e a vertical de qualquer lugar
oscila sem se deter
e deixa de ser perpendicular.

"Eu já fui", responde o vinho,
"A folha solta brincara ao vento,
fui raio de sol no firmamento
que trouxe a uva, doce carinho.

Ainda guardo o calor do sol
e assim eu até dou vida,
aumento o valor seja de quem for
na boa conta, peso e medida.

E só faço mal a quem
me julga ninguém
e faz pouco de mim.
Quem me trata como água
é ofensa, pago-a!
Eu cá sou assim."

Vossa mercê tem razão
e é ingratidão
falar mal do vinho.

E a provar o que digo
vamos, meu amigo,
a mais um copinho!


Adoro-te Vênus. Viva a Lusitânia e VIVA  os vinhos de Portugal!!!


9 de maio de 2012

Vacilos bebuns

Dia desses fiz a mesma cagada do Julio Gilson: chamei uma formosa dama de "Thaís". Ela ficou furiosa e perguntou "quem é essa Thaís? Aposto que é uma dessas que você coleciona por aí!!!"

Perdi a gata, e o pior é que não conheço nenhuma Thaís... Preciso maneirar no uísque ... =]



2 de maio de 2012

Minhas aventuras com Nicole Blancanieves

Estou viajando (ainda!!!) agora em Salvador, voltando de uns dias com Carol na Baía de Camamu. Fiquei totalmente LOUCO por ela. Uma mulher forte, sensual, bonita, descolada, independente, que viaja o mundo praticando mergulho com cilindro. No início, foi aquela coisa, "mulher e cerveja, yeah!", mas a guria simplesmente e LITERALMENTE me deixou na lona.

Passaria o resto da minha vida com ela - e eu só disse isso a três mulheres antes dela. Tudo muito incerto, tudo no domínio das probabilidades e acasos, e assim a vida é. Vamos ver o que os Deuses me reservam. De qualquer sorte, vou ter de fazer os 12 trabalhos de Hercules pra tocar o coração da beleza, que a fera é dura na queda.

Cabelos compridos e pele cor de azeite de oliva emoldurando tatuagens. Nua, quem diria que é uma circunspecta dentista? Gata, bróder. Pra casar.

Tenho pensado mui seriamente em me iniciar no Candomblé. Filho de Oxóssi. A Bahia é o umbigo do mundo, a Bahia é o melhor pedaço do mundo.

Antes disso, em Madrid, uma sequencia de baladas totalmente bukowskianas, com uma brasileira madrugada adentro, num bar perto da Puerta del Sol. Chegando na casa onde estava ficando, no dia seguinte, em Soto del Real, me deparo com uma chilena, cantora de blues. Tinha rolado uma festa na casa, e lá estavas Nicole, cantora de blues, óculos escuros enormes, chapada, com um garrafa de cava espanhola.

Elogiei a voz dela, que era mesmo um beleza. Ela cantou para mim, entre goles. Bebemos e bebemos. Descobrimos uma fantasia perdida pela casa, de princesa medieval - ela a vestiu (tenho fotos =] ) e saímos pela rua com uma garrafa na mão.

Ela me previu o futuro, nós sentados e bebendo na rua, a Serra de Guadarrama ao fundo. Eu estava absolutamente encantado. Ela pegaria um voo pro Chile naquela mesma noite, mas não havia pressa. Então fomos a uma casa, porque ela queria me mostrar suas músicas... Nos sentamos num sofá e ela me pediu meu email para me enviar o link das canções. "Ok", eu disse, "meu email é diabo.lisergico..." E ela: "eres el diabo lisérgico!", me lascou um beijo inesquecível, e começamos a nos beijar loucamente.

Caros patrícios, eu já estava em cima dela, no sofá, lutando para abaixar as calças... DE REPENTE apareceu um chileno FORTÃO e veio em minha direção. Eu só tive tempo de pular e procurar a saída enquanto ele dizia CAI FORA!!! (Era o tio dela). Pensei que ia levar uns socos, rarararara.

ISSO TUDO ROLOU HÁ MENOS DE 24 HORAS DA DEFESA DA MINHA TESE DE DOUTORADO!!! Depois da defesa, no almoço de comemoração, entre vinhos, contei a história po JP, e ele ficou repetindo "caralho Clavdivs, mas essa história é completamente bukowskiana!!!" Depois de ter sido aprovado com louvor, foi o melhor elogio que recebi na minha estada em Madri :-)


Fotos da musa chilena cantora de blues (que trepada eu perdi, rarararararararaaaaaaaaa):










  

21 de abril de 2012

PhD Cum Laude

Estou em ROMA, agradecendo a Juppiter Optimus Maximus e a Clavdivs.

A maxima laurea para o maximo esforço.

Novos tempos, mais mulheres, vinho, viagens e grana.

PS: A menos de 24 horas da defesa da tese, em Madrid e Soto del Real, catei uma brasileira e uma chilena cantora de blues, numa sequencia louca e deliciosa, entre movidas, paisagens, e garrafas de cava catalana. Depois conto essa...

1 de abril de 2012

Pela noite na Serra de Guadarrama

Um dos melhores fins-de-semana que passei nos últimos anos. Fomos a um bar de descolados em Villalba, eu, JP, seu irmao (que assim como eu é um gozador nato) sua cunhada e duas amigas.


A cunhada do JP é uma das pessoas mais simpáticas que eu já conheci, sem nenhum exagero. O dono do bar é namorado da sobrinha do JP, de modo que estávamos em casa (inclusive com rodadas de bebiba grátis, rererere).


Só bebi uísque. Jack Daniel`s. E compreendi porque Lemmy Kilmister, do Motorhead, nao larga nunca o Jack...


As amigas do JP eram umas preciosas. Lá pelas tantas da madrugada, eu me quedei dando em cima de uma delas no maior descaramento, em plan broma mas jogando a isca, e ela nao parava de rir. Todo mundo rindo y "pasandolo bien".


Ah, claro, trocamos telefones, para combinarmos um cineminha na Filmoteca Española.


Depois, fomos dormir na casa do irmao do JP, um sobrado maravilhoso em plena serra, com um quintal e umas vistas belíssimas, em Los Molinos. A cumplicidade daquele casal, é impressionante. Trinta anos juntos e se nota instantaneamente que sao felizes. A maioria dos casais que eu conheci nao é assim. Me bateu uma inveja, na boa.


Almoçamos cordeiro assado bebendo um vinho Ribera del Duero safra 1999. Que mais poderia pedir? Buenas, que a amiga do Juan tivesse dormido comigo, rararará.


PS: Gracias Juan y José, pelos valorosos conselhos que me deram no fim de noite. Estarao em minha mente, sempre.

31 de março de 2012

Venvs

À Venvs, que há exatos dois anos veio a mim, enviada por Jupiter. Sempre a adorarei.

EL FORNICIO (do poeta chileno Gonzalo Rojas)
 

Te besara en la punta de las pestañas y en los pezones,
                        te turbulentamente besara,
mi vergonzosa, en esos muslos
de individua blanca, tocara esos pies
para otro vuelo más aire que ese aire
felino de tu fragancia, te dijera española
mía, francesa mía, inglesa, ragazza,
nórdica boreal, espuma
de la diáspora del Génesis, ¿qué más
te dijera por dentro
                           griega,
mi egipcia, romana por el mármol?
                         ¿fenicia,
cartaginesa, o loca, locamente andaluza
en el arco de morir
con todos los pétalos abiertos,
                                 tensa
la cítara de Dios, en la danza
del fornicio?
Te oyera aullar,
te fuera mordiendo hasta las últimas
amapolas, mi posesa, te todavía
enloqueciera allí, en el frescor
ciego, te nadara
en la inmensidad
insaciable de la lascivia,
                                  riera
frenético el frenesí con tus dientes, me
arrebatara el opio de tu piel hasta lo ebúrneo
de otra pureza, oyera cantar a las esferas
estallantes como Pitágoras,
                      te lamiera,
te olfateara como el león
a su leona
               parara el sol
fálicamente mía
                           ¡te amara!

28 de março de 2012

VIVA HISPANIA!!!

Buenas, primeiros dias na Espanha. Aluguei um quarto na casa de uns amigos em Soto del Real. Vamos a ver, dei muita sorte: uma casa que é um sobrado com um quintal enorme, neste pueblo mui agradável que é Soto del Real. E os moradores da casa, Davi, Alicia e Norman, "Los Camaleones", são gente muito boa.

É um quarto que na verdade é como se fosse uma casa: toda a parte de baixo do sobrado, o que inclui banheiro, e cozinha... =] ... Por 100 euros. 100 pavos, como dizem aqui, e uma feijoada que vou cozinhar para 20 pessoas, logo mais. TODOS CONVIDADOS, putos piratas brasileiros!!!

O "aluguel" também inclui uma bicicleta, rererererere.

Por onde se mire da casa, se avista a "pedriza" das montanhas da Serra de Guadarrama. Muy bonito. Hoje estive no Parque Regional de la Cuenca del Manzanares, una belleza. Comprei um telefone celular com rádio, e tenho passado os dias escutando a Radio Clásica de España, bebendo vinho e flipando. Ahora mismo, BEETHOVEN.

Muita biofilia. Vinhos, digamos, honestos, por 2,50 euros (por agora, é mais barato comprar vinhos que tomates, rarará). Sábado fui a uma festa, num "huerto" de hortalizas que uma moçada cultiva, para celebrar o início da primavera. Vinhos e queijos e a vista das montanhas do Parque.

Conversei muito com uma italiana que se espantou com o meu conhecimento sobre o Império Romano - e eu pensando - "guapa, que eres de alli, ¡¡¡COÑO!!!" Jajaajajajaaajaa. Conheci uma espanholita muy muy guay y creo la pillaré  =] Vamos a estar disfrutando Madrid a tope, muy pronto.

Dias estupendos de muito sol e temperatura média de 10 graus. (Uns 20, ao meio dia).

Vou a Roma em breve. Todas as glórias aos meus pais, e a Juppiter Optimus Maximus.

Soto del Real, inverno


Igreja de Soto del Real, com ninhos de cegonhas

Parque Regional de la Cuenca del Manzanares... Disfrutes biofílicos.

22 de março de 2012

A Alegria (por Ferreira Gullar)

O sofrimento não tem
nenhum valor
não acende um halo
em volta de tua cabeça, não
ilumina trecho algum
de tua carne escura
(nem mesmo o que iluminaria a lembrança ou a ilusão de uma 

alegria).

Sofres tu, sofre
um cachorro ferido, um inseto
que o inseticida envenena.
Será maior a tua dor
que a daquele gato que viste
a espinha quebrada a pau
arrastando-se a berrar pela sarjeta
sem ao menos poder morrer?

                                      A justiça é moral, a injustiça
não. A dor
te iguala a ratos e baratas
que também de dentro dos esgotos
espiam o sol
e no seu corpo nojento
de entre fezes
                                           querem estar contentes. 





(Viva Ferreira Gullar! Já viajando, em Curitiba, na casa do Abutre. Ontem Fred esteve conosco, secamos uma garrafa de uma pinga mineira boa demais, enquanto contávamos nossas histórias de mulheres e viagens, que é o que realmente interessa nessa vida breve... Amanhã, por essas horas, sobrevoando a Península Ibérica =] )

18 de março de 2012

Águas de março fecham o verão...

E um ciclo da minha vida também. E no rito de passagem, na Europa, estarei na primavera, metáfora óbvia de renascimento, óbvia e certeira, pois é isso mesmo: estou no limiar de novos tempos.

O novo sempre vem.

16 de março de 2012

Leituras "recreativas": Remnick, Richards

Li O Rei do Mundo - Muhammad Ali, de David Remnick. Ali é uma figuraça, a leitura foi bastante agradável, uma biografia franca, não hagiográfica. Não sabia que Ali defendeu a separação de brancos e negros tão ardentemente (o que para mim soa muito paradoxal, pois era a mesma posição da Klu Klux Kan, ainda que por motivações distintas). Ele se afasta de Malcolm X quando este começa a rever essas posições (depois se arrependeria disso).

Mas claro, o que me interessou mais foram as descrições das lutas de Ali, contadas não apenas pelos jabs e ganchos desferidos, mas também através de depoimentos dos lutadores, o que se passava antes e durante as lutas, o que se passava nas mentes dos pugilistas. Depois, fui ao youtube ver as lutas mais emblemáticas. É belo ver Muhammad boxeando...

Ali nocauteia Sonny Liston

E também li Vida, a biografia do Keith Richards. Me diverti pacas, embora seja o livro obviamente tendencioso (Richards aparece quase como o abnegado que consegue manter os Stones unidos, a despeito do narcisismo do Mick Jaegger. Como se ele também não fosse um sujeito difícil - e é). Todas as brigas narradas, ele se dá bem (nunca tomou um soco na cara? naquela vida que ele levava, tão turbulenta?).

Mas é um bom livro, conta bem a gênese dos Stones, e está recheado de umas histórias de loucuras em viagens e turnês dos Rolling Stones que me renderam boas gargalhadas. Parabenizo Richards pelas fêmeas que pegou. Anita Pallenberg era uma diva, no final dos 60.

Essa tirinha não tem nada a ver com o texto, mas o brógui é meu, e eu enfio aqui a porra que me der na cabeça, rarará

10 de março de 2012

Dois pacatos professores têm seu dia de estrelas do Rock


Foi belo o voo da TV 4 andares abaixo. O estrondo da colisão com o solo foi similar a uma explosão. Todo mundo meteu as caras em suas janelas para ver que porra tinha acontecido. Gargalhadas infernais na cripta onde eu vivia.

Nunca mais tive outro televisor. Como dizia GROUCHO MARX,  
"considero a televisão um meio altamente educativo. Toda vez que alguém liga a TV, vou para o meu quarto ler um livro!"  =)) 
partiéndose de risa

8 de março de 2012

Rockeando

Ouvindo Led Zeppelin no volume 100, e preparando as coisas pra viajar pra Madri... DE PINGA, chavalotes...
Caraças, que sensação boa...




A propósito do Dia Internacional da Mulher:

E É POR ELAS QUE O LIMITE DO MEU CARTÃO TÁ SEMPRE SUBINDO...

VIVA A MULHERADA (bonita)!!!

7 de março de 2012

A Separação

Filmaço. O Irã sempre me interessou, o cinema iraniano idem (pelo menos os filme que assisti  me agradaram). Os atores estão demais, todos arrebentando. O roteiro passeia pelos dramas de cada personagem, mesclando-os sem maniqueísmos, numa escalada de conflitos interpessoais, mas que falam muito sobre questões caras a qualquer iraniano - por exemplo, o status das mulheres naquele país.

E Leila Hatami... LEILA HATAMI... Glorioso e misericordioso Allah, porque não me fizeste persa e marido dessa iraniana? Rárárá

4 de março de 2012

Maluca queima árvore de 3.500 anos

Sarna Barnes... Acho que você exagerou na pira, não é mesmo, querida? Agora vamos queimar você, para evitar que a cagada se repita, tá legal? Bjs


Detienen en EEUU a una mujer que quemó un ciprés de 3.500 años

Una mujer de 26 años fue detenida en el centro de Florida (sudeste EEUU) por haber iniciado en enero el incendio de un ciprés de 3.500 años de antigüedad, más de 50 metros de altura y el quinto árbol de este tipo más viejo del mundo, informaron el miércoles a la AFP fuentes oficiales.

Sarna Barnes, piromaníaca e mocréia
"Sara Barnes, de 26 años, fue arrestada el martes por su papel en el incendio que destrozó el árbol 'The Senator' (El Senador)", como se apodaba al ciprés, dijo un comunicado del departamento del 'sheriff' del condado de Seminole.

Barnes fue detenida en su casa por las autoridades después de que varios testigos la describieran y reconocieran en fotos como la autora del incendio que el 16 de enero pasado consumió el histórico árbol.

En el momento de ser detenida, Barnes se encontraba con Jodi Hill, otra mujer de 41 años, y ambas fueron acusadas por posesión de drogas. La policía informó que había encontrado al allanar la casa distintos objetos para consumir droga, así como metanfetamina.

The Senator Tree
"'The Senator' era un árbol de 54,8 metros de altura, de 3.500 años y era el quinto más viejo del mundo. Es triste que alguien no haya tenido cuidado con un árbol histórico", dijo a la AFP Jim Duby, funcionario del departamento de Tierras Naturales del condado de Seminole, encargados de proteger el parque Big Tree en Longwood, donde se encontraba el ciprés.

Algunos agentes de la policía dijeron al canal local THV 11 que Barnes tomó fotos del incendio y las descargó a su móvil y ordenador para mostrárselas a amigos afirmando: "No lo puedo creer, quemé un árbol más viejo que Jesús".

Barnes admitió ante las autoridades que inició el fuego y que luego lo retrató porque quería ver lo que había hecho.

FONTE: yahoo.es

3 de março de 2012

A prostituição é a primordial vocação feminina

O Pondé escreveu na Folha de São Paulo (27/02/2012) que "prostituta é a primeira e a mais sublime vocação de toda mulher". Claro que as feminazistas, a escória esquerdista (aquela mesma que diz amar a liberdade e admira Fidel Castro e Stalin) e os imbecis politicamente corretos protesteram, alguns com elegância, outros usando a retórica usual que tipos adestrados repetem ad nauseam. Acertadamente, Luis Felipe Pondé classifica a nova esquerda como "uma das piores farsas que já se arrastou pela Terra."

Ele replicou as críticas, ao meu ver, com certa tranquilidade, apontando a enorme hipocrisia que grassa na Macondo Brasilis (afinal, ser prostituta não é desvio de caráter...)

Abaixo, o texto que desatou a polêmica, reportagem na Folha de São Paulo comentando a polêmica (que incluiu abaixo-assinado firmado por "intelectuais", rararararara), e na postagem seguinte, a réplica do filósofo às críticas.

Antes, uma pequena aula às feminazistas e à canalha esquerdista: qualquer acadêmico das ciências humanas que realmente ESTUDA ao invés de se dedicar a vocalizar essa imunda retórica ideológica da qual os Gulags são horrenda materialização, sabe que EM QUALQUER cultura as mulheres TROCAM favores sexuais pelos mais variados motivos. O dinheiro é apenas um deles (Sobre esse e outros comportamentos universais, recomendo o livro Human Universals, do antropólogo Donald Brown).

Estudem, medíocres.




O FIO DE CABELO DE UMA MULHER 
(Luis Felipe Pondé, Folha de São Paulo, 27/02/2012)

Dias atrás escrevi que não me preocupo com a África nem com as baleias nem com você. Pânico na bancada da classe média… Muita gente pergunta o que eu queria dizer com isso. Uma pessoa se indignou porque eu tive a ousadia de dizer que ele não era objeto de minha preocupação. Se ele me lê, pensa ele, devo me preocupar com ele. Ele, ele, ele. Não. Sou indiferente a sua necessidade de autoestima.

Só levo a sério um argumento como este (quem me lê deve ser objeto de minha atenção) se nele estiver em jogo as leis de mercado e olhe lá. Mas pessoas indignadas normalmente acham que seus sentimentos morais são infinitamente mais caros do que as leis de mercado. Eu, de minha parte, sei que minha fisiologia é parte das leis de mercado.

Assim como a prostituta é a primeira e a mais sublime vocação de toda mulher, afirmo: sou lido, logo existo. Saber que eu tenho um preço é uma das formas mais belas de libertação que conheço. Mas a queixa de nosso mal-amado está longe disso. É a queixa de um indignado com a maturidade. Se Freud já dizia que pessoas adultas são uma raridade, hoje ficaria chocado com o fato de que infantilidade se tornou um direito de todo cidadão.

A maior desgraça da democracia, dizia Nelson Rodrigues, é que ela traz à tona a força numérica dos idiotas, que são a maioria da humanidade. Aceitar a idade adulta hoje em dia é tão raro como a virtude de uma mulher que bebeu vinho demais no jantar.

Aliás, devo pedir perdão às mulheres “fáceis”, por compará-las a tão miserável condição: a recusa da maturidade.

Ainda bem que nem todo mundo que me lê ou me conhece depende de mim para se sentir amado, porque, antes de tudo, amo muito pouco. E, com os anos, menos ainda. O deserto pode ser uma graça.Dou hoje uma indicação para os adultos que me leem. “Adulto” aqui, como sempre, não tem a ver com a data de nascimento no RG. Já vi pessoas muito jovens serem capazes de suportar “a hostilidade primitiva do mundo” (“Mito de Sísifo”, outro livro de Camus) sem reclamar da gloriosa indiferença do Sol.

Assista à bela e econômica montagem do “O Estrangeiro“, uma adaptação feita pelo dinamarquês Morten Kirkskov do livro com o mesmo nome do francês Albert Camus. Ela está em cartaz, até 4/3, no Teatro Cacilda Becker, com Guilherme Leme e direção de Vera Holtz. Uma pérola discreta, como deve ser tudo o que tem valor.

O estrangeiro da história, Meursault, vive em Argel, Argélia (país de Camus). Ele mata um árabe e é preso. Dias antes, sua mãe morrera. Ele não chorou no enterro. Para muita gente, assim como para o promotor que condena Meursault, não chorar na morte da mãe é prova cabal de “ter o crime no coração” (antes mesmo de ele matar um “homem qualquer”), e é, portanto, o ato de um niilista.

Por isso, o promotor diz que Meursault tornou possível o parricídio ao ser julgado no dia seguinte, e, por isso mesmo, deveria ser julgado por ambos os crimes. Para o promotor, não chorar a morte da mãe é abrir as portas para o parricídio.

O fato de, no dia seguinte à morte da sua mãe, ele ter se deliciado, na praia, nos braços de uma mulher, Marie, cheia de amor para dar, era evidência de sua desumanidade. Pior: fora ao cinema com ela para ver uma comédia.

Vê-se que Camus era um apreciador do sexo frágil (coisa cada vez mais rara) na forma como descreve Marie, linda, cozinhando sua comida, de vestido solto e listrado, enchendo sua vida de desejo, com os cabelos caindo nos ombros. Marie usava aquele tipo de vestido de verão solto, que permitia Meursault tocar, como se fora seu dono, o calor úmido entre suas pernas.

Mas o promotor está enganado. Chorar no enterro da mãe pode ser tão falso como as indignações de hoje em dia. Como diz Meursault ao padre: “Sua religião não vale um fio de cabelo de uma mulher”. Em meio à “doce indiferença do mundo”, o desejo por uma mulher pode ser mais difícil do que chorar a morte de uma mãe “distante”.

Concluo, com uma ponta de dor, que sou da raça de Meursault. Prefiro a hostilidade primitiva do mundo e mulheres fáceis com vestidos de verão.



NELSON RODRIGUES VOLTA À TONA APÓS COLUNA POLÊMICA
(Folha de São Paulo, 02/03/2012)

"Assim como a prostituta é a primeira vocação da mulher, afirmo: sou lido, logo existo." O arroubo do filósofo Luiz Felipe Pondé em sua coluna, publicada na última segunda-feira na Folha, mobilizou leitores do jornal.

A frase faz alusão a um relato do escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues, publicado em 1967 no "Correio da Manhã", em que ele conta os bastidores e ensaios da peça "Vestido de Noiva", quando havia disputa entre as atrizes pelo papel de meretriz.

Tão logo o conseguiam, escreve Nelson, se punham a interpretá-la "com naturalidade, graça, movimento exato e inflexão certa", como se fossem vocacionadas para o ofício que representavam. Pondé, condensando o pensamento de Nelson em suas memórias, estendeu a colocação ao gênero feminino.

Entre os que se sentiram agredidos pela coluna está a cineasta Paola Prestes, que puxou por e-mail um cordão de protestos.

"Pondé revela uma arrogância ciclópica do meio intelectual contemporâneo, construído mais em divãs de psicanálise do que fruto de um pensamento rigoroso e sensível", diz, no texto endereçado a cineastas e artistas, que endossaram a crítica.

Para a escritora e militante feminista Rose Marie Muraro, "o argumento expressado é falacioso". "A vocação primeva da mulher é a maternidade. A prostituição tem raízes patriarcais e motivação econômica. Pondé quis ser provocativo e foi apenas tolo, além de demonstrar desconhecimento da história." Aludir a Nelson Rodrigues reaviva questões em torno da persona e da obra do dramaturgo, a quem muitos acusam de conservador e misógino.

Sobre a expertise de Nelson em polêmica, Ruy Castro, biógrafo do dramaturgo e colunista da Folha, diz que "ele é o escritor brasileiro que botou mais dedos em feridas". "A prostituição como vocação é apenas uma delas, e numa época em que não se admitia nem às prostitutas serem prostitutas."

A familiaridade que Pondé sustenta haver com o texto do dramaturgo é rebatida pelo diretor de teatro Antunes Filho. Para ele, houve uma interpretação enviesada. "Estão querendo fazer pegadinha com a frase de Nelson. Ele fala de situações míticas, de arquétipos, do inconsciente coletivo. É preciso tirar essa ideia do social, do pequeno."

Diretora da Daspu, grife de roupas criada e divulgada por prostitutas, Gabriela Leite defendeu o ponto de vista do dramaturgo e a alusão. "Nelson é moderníssimo, as pessoas é que não são". Mas ela aponta que "ninguém quer ser chamada de puta". Ouvido pelo jornal, o colunista disse que o seu texto é uma "armadilha de pegar hipócrita. Se eu tivesse mencionado o dramaturgo e escritor, perderia o impacto", admite.

A Réplica de Pondé

NELSON, COMO PREVIA A COLUNA, CHOCA PORQUE NADA MUDOU
Luis Felipe Pondé, Folha de São Paulo, 02/03/2012


Quando usei a imagem da prostituta como a primeira ou mais sublime vocação da mulher, estava citando Nelson Rodrigues, não literalmente, mas diretamente. A fonte era sua coluna do dia 5 de maio de 1967, no "Correio da Manhã". Mas não disse a ninguém, e fiz isso de propósito. Tinha uma intenção quase científica, e provei minha hipótese. Mas antes, aos fatos.

Lá ele fala de como as atrizes, as mulheres fiéis, as boas mães, gritavam: "Quero fazer a prostituta, quero fazer a prostituta!". Sua heroína de "Vestido de Noiva", Alaíde, morrendo, sonha em ser a prostituta Clessy, para viver "seu momento de prostituta". E as mulheres na plateia ficavam tensas de sonho quando o mito da prostituta se irradiava pelo palco.

Afinal, a prostituta seria a mais antiga das vocações, e não das profissões, e, por isso, a heroína sofria da nostalgia da prostituta.

Por que esse horror da prostituta como um dos arquétipos da mulher?

Qual mulher que gosta de sexo que nunca vestiu a "fantasia da sua prostituta" para gozar o gozo da promíscua que, por ser promíscua, é a especialista em enlouquecer os homens? Só os infelizes desconhecem este gozo. Mas, infelizmente, os infelizes são sempre a maioria, ontem, hoje e sempre.

A emancipação feminina e a revolução sexual são uma mentira sobre o sexo. E o infeliz é nada mais que um mentiroso contumaz.

Nos anos 1960 era, talvez, normal se chocar com isso, mas hoje? Onde ficou o tal avanço em costumes? Onde estão os inteligentinhos que desfilam em seus jantares discursos de como não têm preconceitos? Está aí minha hipótese provada: Nelson continua a chocar porque nada mudou. Do puritanismo religioso, passamos ao puritanismo secular. Sem Deus, mas ainda mentindo sobre nossos demônios.

23 de fevereiro de 2012

22 de fevereiro de 2012

"Descongelam" uma planta depois de 30.000 anos

Fatos como este realmente me emocionam:


Hace aproximadamente 30.000 años, una ardilla del ártico escondió unas semillas en alguno de sus almacenes subterráneos y las olvidó allí. Ahora, un grupo de científicos rusos han conseguido hacer germinar esas mismas semillas. Es la primera vez que algo así se consigue con una angiosperma, una planta superior.

Las ardillas suelen guardar gran parte de los frutos que encuentran en unos pequeños agujeros en el suelo que ellas mismas hacen. Lo más habitual es que olviden gran parte de esta comida almacenada y, de esta manera, las plantas germinen y crezcan. De hecho, las ardillas son fundamentales en el mantenimiento de los ecosistemas precisamente por este hecho.

En el caso que se explica en el último número de la revista PNAS, una de las más prestigiosas del mundo, las semillas fueron olvidadas pero no germinaron. De hecho, se mantuvieron congeladas debajo del permafrost, la capa de suelo que permanece congelada durante todo el año el zonas como Alaska o Siberia, donde fueron encontradas. A este proceso se le llama criopreservación.

Flores de Silene stenophylla de una planta obtenida con material del permafrost.

 Los biólogos rusos encontraron estas semillas, y trataron de hacerlas germinar. Para ello, plantaron cada una de ellas en una maceta, consiguiendo que saliesen la mayoría de ellas. Tras esto, las dejaron crecer durante todo un año en condiciones controladas, y comprobaron que eran capaces de florecer y producir frutos. Después de tanto tiempo congeladas, las semillas eran totalmente viables.

La planta a la que pertenecen estas semillas se llama Silene stenophylla. En la actualidad, esta especie sigue existiendo, pero como se ha podido comprobar ha evolucionado desde entonces. La principal diferencia son sus inflorescencias, que en la antigüedad eran más estrechas de lo que son hoy en día.

Con estos resultados, los investigadores esperan conocer mucho mejor la evolución vegetal, quizá la rama de la biología evolutiva menos desarrollada. Dado que existen enormes extensiones de tierra en forma de permafrost, se pueden obtener semillas de plantas actuales en estadios anteriores de evolución, o plantas extintas.


FONTE: yahoo.es

20 de fevereiro de 2012

Extinciones, por Mario Benedetti

No sólo las ballenas
los delfines los osos
los elefantes los mandriles
la foca fraile el bontebok
los bosques la amazonia
corren peligro de extinguirse

también enfrentan ese riesgo
las promesas / los himnos
la palabra de honor / la carta magna
los jubilados / los sin techo
los juramentos mano en biblia
la ética primaria / la autocrítica
los escrúpulos simples
el rechazo al soborno
la cándida vergüenza de haber sido
y el tímido dolor de ya no ser

habría por lo tanto que tapar
con buena voluntad y con premura
el agujero cada vez más grande
en la capa de ozono / y además
el infame boquete en la conciencia
de los decididores / así sea 

Urucum

Pintados como os índios do Xingu...

10 de fevereiro de 2012

3 de fevereiro de 2012

28 de janeiro de 2012

Leituras "recreativas": Overbye, Vargas Llosa

Li Einstein Apaixonado, de Dennis Overbye, um mergulho nos primeiros 40 anos da vida de Albert Einstein. O autor fez um belo trabalho, mesclando histórias de bastidores da íncrivel produção científica de Einstein, com fatos da sua vida pessoal.

Mileva e Albert
Há uma versão segundo a qual a então esposa de Einstein, Mileva Maric, que era física, contribuiu decisivamente para os artigos que Einstein publicou em 1905, e que revolucionaram a física. Enstein teria omitido essa contribuição.

Vejamos. Nenhum trabalho científico é obra isolada - Einstein bebeu na fonte de físicos e matemáticos importantes da época. Por isso é que existe um tópico em qualquer documento acadêmico, denominado "Bibliografia"... E sim, Mileva, de acordo com Overbye, contribuiu em diversos momentos  da vida acadêmica de Einstein, por exemplo, com cálculos matemáticos, mas a centelha do gênio estava nele.

De acordo com a versão de Overbye, Mileva vai aos poucos abandonando suas ambições acadêmicas, para se dedicar à sua família - Albert e dois filhos. Um bom livro.

Também li Elogio da Madrasta, de Vargas Llosa, um livro mediano, suficiente apenas para conduzir o leitor pelas suas páginas. A trama em determinado momento se torna previsível.

Comecei a ler O Homem Duplicado, do José Saramago (um autor que eu aprecio muito), mas não passei da página 50. Uma maçada. 

26 de janeiro de 2012

Gato maluco enfrenta jacaré

E o réptil queria apenas bater um rango em paz:



=)) partiéndose de risa=)) partiéndose de risa=)) partiéndose de risa=)) partiéndose de risa=)) partiéndose de risa

25 de janeiro de 2012

Tomilho e outras obras-primas

Plantei alecrim, orégano, tomilho e pimenta-dedo-de-moça na minha horta. Mudas compradas a R$ 1,20 a unidade (cerca de 50 cêntimos de euro). Jardinagem-zen para qualquer bolso. Estão crescendo, com a solenidade típica das plantas, folhas e talos se movendo graciosamente e buscando o sol.

Na escola aprendemos (na minha época, vamos, não creio que o enfoque tenha evoluído) que as plantas são imóveis, e não há inverdade maior. As plantas se movimentam  de várias maneiras, todas sofisticadas, e algumas são tão bem-sucedidas viajantes, que estão pelo mundo todo, como o dente-de-leão...

Há os que defendam que os movimentos em defesa dos animais deveriam se estender também às plantas. E que somos cegos, ou talvez de percepção muito rudimentar, em relação a elas. Os dois argumentos procedem.

Há uma literatura vasta sobre os benefícios ambientais da agricultura urbana, links para segurança alimentar de populações de cidades e um longo etc (li centenas de artigos com esses teores).

OK! Mas estou passando um pouco dessa discussão e me interessando mais por aspectos intangíveis dos plantios em quintais.

Isto é, que valor ambiental têm o conjunto de pés de acerola da minha cidade, pra segurança alimentar e pra fauna, eu posso quantificar. Mas o prazer de ver as plantas crescendo, as primeiras flores, um aspecto original de algo que cultivas, o barato de estar descalço cavocando para plantar uma espécie mais.

Qual é o valor disso, para o bem-estar dos macacos humanos? De UMA planta que seja, na gaiola que é um apartamento?

Da mesma forma, há literatura a respeito. E ler, por exemplo, que crianças que crescem em entornos vegetados se desenvolvem em vantagem em relação aos miúdos confinados ao cimento parece espantoso, mas, mesmo intuitivamente, é bastante óbvio. Difícil de quantificar. E quiçás nem seja o caso.

Vamos perder todo o tempo que pudermos, conosco e com quem amamos, vendo as flores da jaboticabeira se transmutarem em frutos de doçura demencial. Receita segura pra gargalhadas, prazer (e, com sorte - sem nenhum acidente aéreo, nem um câncer fulminante aos 40 - pra uma vida longeva também. As estatísticas dizem...)



 Gix: Deflagrada a Operação Selva no Quintal da Cléo! Marciano e demais Verdes Bárbaros convocados para a batalha!!!

23 de janeiro de 2012

Revimos a Grosseira Superfície do Amor, e outros poemas


(Do poeta português Gastão Cruz)






Jovens à porta do Chiado


                    

                            Nada! O fundo dum poço, húmido e morno,
                            Um muro de silêncio e treva em torno
                             Antero de Quental, ‘Elogio da Morte’
                                                                                   

Vêem-se ao telemóvel como ao espelho
nos nomes e nos números buscando
o lodo morno dum profundo poço
O seu mundo está preso àquele fio
de presente irreal que não explica
o facto de ser pele a pele ainda
Tudo fica no raio do olhar
brevemente fictício a vida reduzindo
ao enredo menor das chamadas perdidas
das mensagens que vindas ou não vindas
fazem tremer do dia o edifício
Disso vivem fingindo que se vêem
a si somente enquanto o mundo escorre
com a rapidez do dia para o poço



Revimos a Grosseira Superfície do Amor
Ninguém pudera corrompê-la tanto
por actos e palavras Estivemos
novamente deitados na aspereza
do seu leito
Um ramo na mão tinhas e quiseste
medi-lo com os lábios e metê-lo

no centro doloroso do teu corpo
Eu via as tuas mãos que procuravam
inseri-lo e guardavam
nas linhas ávidas o seu limite grosso
Interrompeste o
sono magoado do meu corpo
e comigo
dormiste sobre as manchas depois 



Cidade no Verão



A cidade é igual a uma casa
com os quartos abertos ao calor

do meio-dia, cada corredor
conduz ao mar em brasa, ruas praças
que no ar como salas a luz traça


Gravura


                               Ourives-gravador era o ofício
do meu avô paterno: sobre mesas
dispersos utensílios buris limas
por entre chapas e, há muito, objectos


acumulados; lembro-o curvado
com a luneta, fixamente olhando
a dura mão que no metal gravava
por encomenda nomes: desenhava com



força as linhas do seu significado

como se para alguma eternidade
ilusória as gravasse, assim o poeta



com o buril inscreve na deserta
chapa do mundo não interpretado
o sentido precário de o olhar



Viagem



No metropolitano ao fim do dia
viajam caras que se movem dentro
do futuro; procuro
entender o que as faz cegamente avançar
em direcção à morte natural
como se, adolescentes, as criasse
ainda o mundo para o uso dúbio









( Me impressionou muito o estilo de Cruz. Uma beleza )

22 de janeiro de 2012

Quebramos o concreto e plantamos uma árvore...


Um araçá (Psidium cattleianum). Na calçada da Gix.

O barato da jardinagem-zen continua: vamos repaginar totalmente o quintal da Cléo, criando vários micro-hábitats, incluindo um pomar. A moçada tá se organizando para comprar grama, esterco, mudas e ferramentas, e eu vou comandar a geléia-geral.

Se meu doutorado não me servir de nada, vou trabalhar de jardineiro-zen (não da Cléo, que é duranga, mas de madames com grana! :)) riéndose  :)) riéndose)

20 de janeiro de 2012

Dirty old man



Todos os Demônios, Espíritos Tortos, Anjos Decaídos, Exus e Prometeus do Universo, que me permitam ser um velho tão sujo, escroto e safado quanto o foi Charles Bukowski. SARAVÁ!!!


E o meu carnaval chegou =]

19 de janeiro de 2012

No cinema: Tintin

Fui assistir Tintin, filme do Spielberg. Eu adoro o Tintin. Não perdia um dos episódios da série animada que a TV Cultura exibia (hoje novamente no ar pelo Canal Futura). Ficávamos lá eu, Bebel e meu amigo Cirrose, com sua inseparável garrafa com qualquer líquido que contivesse álcool, vendo os desenhos e flipando.

Quanto ao filme. Divertido, mas Spielberg tem umas tintas kitsch meio díficeis de aguentar. Meu caro Spielberg, o capitão Haddock é mais divertido bêbado. Se filmares mais uma aventura do Tintin, deixe-o secar quantas garrafas de uísque quiser, ok? Essas lições morais nessa altura da história da humanidade, no, gracias. Enfim...

Outra coisa, o filme é 3D, mas tenho preferido ver películas em 2D. Acho um saco meter aqueles óculos na cara, e ao final os esfeitos não são assim tãããão espetaculares.

Um episódio da série que eu não perdia:

17 de janeiro de 2012

MENTIRAS QUE AS MULHERES CONTAM

(Por MARCELO RUBENS PAIVA, escritor que aprecio, e, como eu, um fascinado pelas mulheres)



"Amanhã eu paro, prometo."
"Pode deixar, que eu tenho dinheiro pro pedágio."
"Chico? Gato? Ele é meio velho..."
"Claro que adoro sua mãe e irmãs. Elas que implicam comigo."
"Já fiz essa receita várias vezes. Não sei porque hoje deu errado."
"Ai, amor, desculpa. Dá um desconto. Estou de TPM."
"Adicionei, porque é um cliente. Ia pegar mal ignorar."
"Hoje não estou de TPM! Você que nunca me leva a sério."
"Acha que tenho ciúmes dela? Maior cara de fuinha..."
"Ai, adoro esta sua barriguinha!"
"Amei o vestido que você me deu de Natal. Tem tanto bom gosto..."
"Eu não estou bêbada."
"Baby, hoje tenho uma reuniãozinha com as amigas. Até te convidaria. Mas só vão as meninas."
"Amor, não precisa ter ciúmes. Ele é gay."
"Acha que fico espionando o seu Face? Tenho mais o que fazer."
"Você está tão cheirosinho hoje."
"Um minutinho, só!"
"Já estou chegando."
"Tô na esquina."
"Você pode escolher, amor. Eu como o que você quiser."
"A próxima conta eu pago."
"Não precisa, querido. Eu não gosto de diamantes."
"Tá bom, se você não quer casar no papel, tudo bem."
"Eu tô gorda?"
"O próximo filme, você escolhe."
"Esta multa não é minha!"
"Tenho certeza de que foi você quem ficou com o ticket do estacionamento."
"Claro que eu não comi o seu chocolate! Deve ter... evaporado."
"Não tenho ideia de onde veio essa batida no para-lama."
"Óbvio que eu deixo você sair com seus amigos."
"Ah, hoje não, estou com a maior cólica."
"Não sei quem era. Desligou."
"Você é, disparado, o melhor homem que eu tive na cama."
"Estou com esta minissaia pra te agradar, pra você me achar gata."
"Brad Pitt? Não pegava, não gosto de homem bonito."
"Faz você. Eu não sei fazer café."
"Eu adoro tudo o que você cozinha."
"Fica tranquilo. Eu enchi o tanque, coloquei óleo e calibrei os pneus."
"Imagina! Não fui eu quem raspou o seu carro."
"Eu não vejo muito a novela. Só sei de ouvir minhas amigas falando."
"Eu não estou chorando!"
"Eu não estou brava!"
"Eu não estou gritando!"
"Você é que está nervoso!"
"Não vou querer parar pra fazer xixi no meio da estrada."
"Só vou olhar. Não vou comprar nada."
"Deixa eu só experimentar?"
"Eu não ligo pra roupa."
"Amor, eu só comprei porque estava tão baratinho..."
"Mas estou no limite permitido de velocidade."
"Pode abrir. Eu sou resistente à bebida."
"Vou adorar passar o Natal com a sua família."
"Vamos passar o Réveillon onde você quiser."
"Não, eu só estou há dois minutos no telefone."
"Estou de regime. Mas me dá só um pedacinho."
"Não fiz nada. Só apertei aquela tecla."
"Acho barriga tanquinho tão brega. Gosto de homem ao natural."
"É tão fofo quando você chora."
"Imagina, eu nem ligo pra romantismo."
"Ah, não precisa me dar nada de aniversário."
"Vai, me apresenta a sua amiga. Sempre quis conhecê-la."
"Eu só estava dançando com ele, porque ele dança bem."
"Amor, ele não estava me paquerando."
"Ai, segunda-feira começo regime."
"O banco já estava fechado. Não deu pra pagar."
"Pode deixar. Semana que vem eu compro."
"Eu não peguei as suas canetas."
"Tá, a gente não compra pipoca no cinema."
"Não é melhor pegar uma grande?"
"Vai indo, que eu te alcanço."
"Eu amo ser casada com você. A gente nunca briga."
"A gente se dá tão bem. Não temos grandes problemas na relação."
"Deixa aí. Amanhã eu lavo a louça."
"Não posso, hoje é meu rodízio."
"Poxa, eu tô tão feia na foto."
"Podemos guardar no fundo do armário as fotos com a sua ex? Porque não tem espaço nesse álbum."
"É claro que gozei! Você não reparou?"
"Você nunca repara em mim!"
"Eu não demoro. Nem vou lavar o cabelo."
"Acho super legal que você ainda mantém contato com as suas ex."
"Só vou trocar de roupa, um segundinho."
"Nunca farei plástica ou colocarei silicone."
"Eu não sou teimosa!"
"Tô pronta."
"Tenho certeza de que desliguei o farol. Esta bateria é que está com problemas."
"Fica tranquilo, eu tranquei a casa."
"Relaxa, não vai dar excesso de bagagem, só estou levando o básico."
"Nem vamos entrar no duty free."
"Não, estes chocolates são só para os amigos. Nunca aceito encomendas em viagens."
"Aquele radar não estava aqui ontem."
"Nem reparei que era vaga de idoso."
"Juro que as chaves estão nesta bolsa."
"Como você pode ser tão gostoso...?"
"Já estou indo!"

Para a menina linda que anda triste

Que alegre teu dia!

16 de janeiro de 2012

Angeli e outras feras...

Nos tempos da faculdade, eu comprava e colecionava as revistas do Angeli, do Glauco, do Laerte, e ainda, outras publicações de HQ's, como a Animal.

Esse cartum do Angeli eu tinha estampado numa camiseta, que eu usei até se esfarrapar. Fazia sucesso com os maconheiros e drogados em geral, é claro, rárárárárá:

A maconha é o câncer da família brasileira!
 
Depois vieram outros caras, como Allan Sieber e Caco Galhardo (que assina o desenho abaixo). Todos estupendos, mas a revista Chiclete com Banana, do Angeli, eu apreciava especialmente.

É a mais importante questão filosófica da humanidade =] ...

13 de janeiro de 2012

Os que me importam

Além das minhas próprias ambições, três (e apenas três) são as criaturas que realmente me importam nesta existência, e que sempre terão minha fidelidade, meu amor e todas as delícias que me forem possíveis presenteá-las:


ANTONIA MINOR

DRVSVS
VENVS CAELESTIS